Em uma segunda-feira, aparentemente, normal aos outros (menos a mim) durante todo o dia e, ainda, por 3 dias atrás, estive a observar o ambiente que me cercou nesse período.
Um cubículo irregular chamado de quarto com 2 leitos (camas enferrujadas), 01 banheiro, 01 guarda volumes, 01 sofá cama que mais parecia um banco de praça abandonado, 01 cadeira de plástico branca, 02 mesas, 02 cestos de lixo, 01 pia, 01 porta papel toalha, 01 porta sabão e até um porta álcool gel (é a tal da "gripe de porco"), 02 janelas externas com vidros e 02 internas sem o vidro, deve ser o tal descaso do governo. Nas paredes uma tinta envelhecida pelo tempo (onde há tinta), as placas indicando quarto 413, leito 39 e quarto 413, leito 40, acima delas 02 lâmpadas (ou melhor, o local pra colocá-las porque elas mesmas não existem) e a suposta campainha pra acionar os responsáveis pelo nosso grito de socorro ou ajude-me por favor! É suposta porque também não funciona! Bem ao lado o balão de oxigênio e o nebulizador que, por um milagre, ou quem sabe sorte, estão muito bem, obrigado! Preciso falar da porta que daqui a algum tempo pode ser que desabe sozinha de tão velha e precária que é a situação. Há alguns interruptores e algumas lâmpadas, alguns lençóis, algumas sacolas espalhadas, 01 deposito de medicamentos, 01 garrafa de água mineral, copos descartáveis, 01 garrafa de café vermelha, 02 celulares, algumas sandálias espalhadas, e algumas pessoas, é claro. Muitas vestidas de branco e sempre diferentes a cada turno, algumas com bandejas cheias de medicamentos, seringas e agulhas, esparadrapos e ataduras. Outras somente com estetoscópios de enfeite em volta do pescoço... esses são os que estudaram um pouco mais, eu diria que bem muito mais.
Um odor fétido espalhado em volta e o soar do vento forte la fora que às vezes parece que vai arrastar toda a estrutura do lugar, se não estivesse lotada de pessoas inocentes, diria até que seria um enorme favor da natureza. Talvez assim a política da boa, ótima saúde funcionasse e um bom ou quem sabe até, excelente hospital (decente) fosse reerguido no lugar do que levantaria vôo.
O sonar dos roncos me faz pensar em como alguém consegue dormi fazendo tanto barulho ele mesmo? A natureza do ser humano vai além dos meus mais doces delírios, não há como desvendar, nem em sonhos!
Enfim, de um lado no leito 39, um paciente diabético, hipertenso, com problemas renais e com sua acompanhante que mais parece uma boneca movida a pilha que precisamos desligar o botão para que fique quieta. Do outro lado, no leito 40, outro paciente diabético, hipertenso, com problemas renais e cardíaco... com suas duas acompanhantes que não se parecem com bonecas que falam sem parar, mas que são mulheres que amam o homem que é marido, pai-avô e bisavô que ocupa tal leito e também o coração daqueles que o amam. O hopital em questão não merece ter seu nome mencionado, o que posso dizer é que mais se parece com um hotel de quinta, embora com alguns, bem poucos, bons e até ótimos profissionais!
Noite.
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